Cedo ou tarde, toda célula precisa de um novo anfitrião. O atual vai se mudar, o vizinho reclamou do barulho, um bebê está a caminho, os pais não querem gente estranha entrando em casa.

Na reunião, o líder diz que receber uma célula em casa é uma bênção, que Deus honra quem o serve, e pergunta se alguém tem interesse.

Uma pessoa levanta a mão. Na hora parece simples. Mas na volta pra casa surgem as dúvidas.

O que eu vou ter que fazer, exatamente? E se o líder não vier? E se eu viajar? E se a reunião cair no dia do jogo? E se o meu marido não gostar da ideia? E a bagunça das crianças?

O líder falou da bênção. Do papel, ninguém falou.

O que ela sabe é o que vê toda semana, da hora em que chega à hora em que vai embora. O antes e o depois, nunca viu.

Neste artigo vamos esclarecer as principais dúvidas e desafios de um anfitrião de um pequeno grupo.

O anfitrião de uma célula da igreja recebe o grupo em casa e prepara o espaço para a reunião. São poucas tarefas, e simples: quase tudo se divide entre os participantes.

O que é indispensável é a presença dele. O anfitrião é a única pessoa que, quando fura, deixa a célula sem reunião.

Fora isso, a casa e a rotina se ajustam ao dia da reunião. A tarefa mais importante fica com ele: orar por cada cadeira vazia.

O que o anfitrião da célula faz antes, durante e depois da reunião?

Se você participa de um pequeno grupo, a parte do meio não é novidade. As pessoas chegam, conversam, comem juntas, a reunião acontece, e todos vão embora, menos o anfitrião.

O papel dele começa antes e termina depois que todo mundo sai.

Antes

Deixa a casa pronta uns 30 minutos antes, porque sempre chega alguém adiantado. Põe tudo no lugar, arruma as cadeiras, confere se tem boa iluminação, prepara um lanchinho básico. Casa pronta não quer dizer impecável.

Durante

Recebe as pessoas com simpatia, ajuda a enturmar o visitante. Fica atento ao que atrapalha: a TV ligada, o cachorro no meio da roda, o periquito que canta na hora da oração, o som alto no quarto do filho.

Depois

Às vezes a bagunça pode ficar pra ele, mas isso não pode se tornar uma regra. Em célula organizada, todo mundo ajuda a arrumar antes de sair.

Escrita de uma vez, a lista parece grande. Na prática é a rotina de receber visita, com duas diferenças: ela se repete toda semana, e as pessoas são quase sempre as mesmas.

O que muda na casa de quem recebe a célula?

A rotina vai mudar. Uma coisa é participar de uma célula, outra é receber uma na sua casa.

Não adianta só uma pessoa da casa querer. Quem mora junto pode não gostar de igreja, de crente, e é na casa dessas pessoas que a reunião da célula vai acontecer toda semana, no mesmo dia e na mesma hora.

Todo mundo ali precisa estar de acordo. Sem isso, o que era pra ser uma bênção vai resultar em confusão.

Reunião que acontece com uma pessoa trancada no quarto, que não sai nem para beber água para não dar de cara com ninguém, não está abençoando aquela família.

Mudar a rotina de uma família pode ser o fator determinante para ser ou não ser o anfitrião de um pequeno grupo.

Ceder um espaço da casa é o de menos. O que muda é a previsibilidade dela.

Uma noite por semana a casa recebe quatro coisas que ela não tem nas outras seis:

  1. Gente que a família talvez não conheça.
  2. Louvor e oração em voz alta.
  3. Conversa que vai até mais tarde.
  4. Um banheiro usado por todo mundo.

Em apartamento tem o vizinho de baixo, em casa tem o vizinho do muro, e nenhum dos dois é da igreja nem combinou nada com ninguém.

Uma célula de universitários que se reúne às 23 horas, com louvor, oração e risadas, pode incomodar, e quem reclamar tem razão. Onde existe regra de condomínio, ela vale tanto para a célula quanto para outras reuniões.

Se tem crianças envolvidas, há pelo menos duas situações, e elas não se resolvem do mesmo jeito.

Se o anfitrião tem filhos e a célula não tem reunião para eles, as brincadeiras podem atrapalhar a reunião, ou a reunião pode atrapalhar a rotina deles.

Se a célula tem um momento só para as crianças, são as crianças de todo mundo, e elas brincam na casa, e bagunça e barulho vão acontecer.

Estas situações não são motivos para desistir de ser anfitrião de uma célula. É a razão para combinar antes com o líder, porque uma vez aceito, não se cancela uma reunião por pura conveniência.

Célula não é adiada porque chegou visita, porque tem jogo ou porque a semana foi puxada.

O que muda na semana do anfitrião de célula?

Para o anfitrião do pequeno grupo, um dia da semana deixa de ser livre, e os outros dias se organizam em volta dele.

A reunião da célula acontece uma noite por semana. O compromisso do anfitrião com os participantes, não.

Quem recebe o pequeno grupo precisa estar em casa antes de todo mundo. Isso pode reorganizar o dia inteiro, não só a noite.

O tamanho do ajuste depende da rotina de cada um. Pode ser o mercado que fica para outro dia, ou o caminho de volta da escola que passa a ser direto para casa.

Não é uma vez. É toda semana, no mesmo dia.

Só que a vida acontece entre uma reunião e outra.

Tem o que já está no calendário: aniversários que caem no dia da célula, a viagem marcada. Isso se resolve antes com o líder, para a reunião acontecer em outro lugar.

Tem também o que não avisa: uma doença, uma emergência no trabalho. Quando isso acontece com o líder, a reunião não para, porque outra pessoa conduz no lugar dele.

O anfitrião é a única pessoa que, quando fura, deixa a célula sem reunião.

Por isso cada imprevisto precisa de um plano B, combinado com o líder. Passou a terça mal e a célula é na quarta? O líder precisa saber ainda na terça.

O que não pode é avisar meia hora antes que ninguém vai conseguir entrar.

Qual é o papel mais importante do anfitrião?

É manter uma rotina de oração. Pela sua família, por cada pessoa que sentará em cada assento disponível, pelo líder da célula e pela liderança da igreja.

Quem cede um espaço entrega a chave e sai. O anfitrião continua ali depois que todo mundo vai embora, e volta para aquele lugar todo dia.

O mais importante que o anfitrião do pequeno grupo faz não acontece na noite da reunião.

Ele ora por aquela casa durante a semana. Pede que ali seja um lugar onde vida muda, e que em nenhuma reunião sobre cadeira vazia.

Anfitrião que participa de verdade muda o grupo. As barreiras caem mais rápido e a formalidade some, porque ninguém se comporta como visita na casa de quem também está ali com eles.

O que ele carrega não é a organização da noite. É a paz do lugar, é a presença de Deus. Todos que chegam ali percebem isso antes de saber nomear.

Este texto é publicado por quem vende o produto, então começo pelo que ele não faz: o célula.in não sabe se a sua família está de acordo, e não ora pela sua casa. Isso continua sendo seu.

O que ele faz é dar nome a esse papel. O anfitrião fica registrado na célula, ao lado do líder e do líder em treinamento, e a supervisão enxerga quem cada líder aponta como futuro anfitrião.

O que você precisa para ser anfitrião de uma célula?

Três coisas, e nenhuma delas é a casa.

A primeira é compartilhar a fé. Não precisa ser a pessoa mais madura do grupo, mas a casa onde a célula se reúne é a casa de alguém que crê no que está sendo falado nas lições de célula.

Algumas igrejas pedem mais, como ser membro ou frequentar os cultos. Isso muda de igreja para igreja, e quem responde é o seu líder de célula.

A segunda é quem mora com você ter paz com as reuniões. Não precisam participar, mas sem acordo vai ter problema.

Jesus disse que “toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mateus 12.25, NVI).

A terceira é disposição. Saber o que vem pela frente e querer mesmo assim. Encarar esta tarefa não como um “favor”, e sim como oferta a Deus. Uma oferta de gratidão por tudo que Ele é.

Do ambiente mais simples ao mais sofisticado, o que conta é quem chega se sentir bem-vindo.

O resto não é requisito, é combinado. E combinado se faz antes.

  1. O dia e o horário, inclusive a que horas termina.
  2. Até onde a casa fica aberta.
  3. Quem traz o lanche e quem fica para ajudar a arrumar.
  4. As datas em que você já sabe que não vai dar.
  5. As regras do condomínio, quando houver.

Nada disso é exigência sua contra o grupo. É o que evita que a boa vontade de hoje vire ressentimento em três meses.

Se você levantou a mão na reunião passada, agora sabe o que aceitou.

Uma noite por semana, a sua casa deixa de ser só a sua casa. Ela vira um lugar onde pessoas encontram a presença de Deus e têm suas vidas transformadas pelo amor de Cristo.

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Escrito por
Alexander Reis
Co-founder do célula.in
Publicado em