Apresentação
O Jonatas é Pastor adjunto na Igreja Batista de Leiria, em Portugal, onde também é o responsável pela área de células e de comunicação da igreja.
O Jonatas também é formado em comunicação e mídia. Nesse episódio batemos um papo com o Jonatas sobre comunicação.
Falamos sobre o que é e qual é o papel da comunicação para as igrejas. O Jonatas nos alerta para a importância de entender o contexto no qual a igreja está inserida antes de traçar os objetivos e estratégias necessárias para que a comunicação seja bem sucedida.
Resumo
Comunicação de igreja começa antes das redes sociais: começa pela missão. Enquanto a igreja não souber dizer o que é e para quem existe, não tem o que comunicar. É a posição de Jonatas, pastor adjunto na Igreja Batista de Leiria, em Portugal, responsável pelas áreas de células e de comunicação e formado em comunicação e mídia, nesta entrevista ao célula.in Podcast.
Definida a missão, ele separa dois públicos. O interno, de membros e líderes, precisa de informação e de conteúdo devocional. O externo, de quem ainda não frequenta, exige linguagem e conteúdo próprios. Falar com os dois do mesmo jeito é o erro mais comum.
Sem presença digital, diz ele, a igreja fica invisível para quem procura: em Portugal, de cerca de 70 igrejas batistas, apenas umas dez têm site. E não basta existir nas redes, é preciso periodicidade, calendário de temas e conteúdo pensado para cada plataforma.
O gargalo, na experiência dele, é gente. A saída que propõe é identificar dons dentro da própria igreja e investir na formação dos mais jovens, em vez de esperar profissional pronto, e o pastor que não domina a área delegar a quem domina.
O que é comunicação? E, mais do que isso, o que é comunicação aplicada ao ambiente de igreja?
Nós vivemos esse grande desafio aqui no contexto europeu, e de facto a comunicação hoje tem sido o grande desafio da igreja.
Eu gosto de olhar para a comunicação como essa ideia da partilha. E quando nós olhamos para a ideia de comunicação, às vezes as pessoas se perguntam de onde é que ela veio, se são os teóricos recentes, de onde é que surgiu isso. E é muito interessante, porque quando nós olhamos para a própria Palavra de Deus, vemos que Jesus foi, e ainda é, um dos maiores comunicadores de todos os tempos.
É interessante pensar nessa técnica da comunicação num contexto como o dele, no tempo do Novo Testamento, em que não havia tecnologias complexas: eles se tornavam realmente mestres da palavra e da escrita.
Essa questão da comunicação está muito ligada à ideia de eu perceber qual é a minha missão. Isso está ligado à própria comunicação interpessoal, que passa também pelo diálogo e pela interação com as pessoas, com a multidão e tudo mais. E é muito interessante perceber isso em Jesus, porque ele tinha total consciência da sua missão na terra. E depois vinha o grande desafio: como fazer isso? E aí é que entra a capacidade de dialogar, de entender os outros, de se fazer compreender. Jesus era mesmo consumado nessa questão.
Eu acredito que a igreja precisa aprender com Jesus e com os próprios líderes da Bíblia, que também nos deixaram exemplos belíssimos, como Moisés e Davi, de como se comunicar, de como dialogar. E talvez esteja aí o grande desafio da igreja no século 21, porque nós vivemos num tempo em que a comunicação está em todos os lugares e nós somos bombardeados por informação. Então a igreja também precisa estar inserida nisso. Uma igreja sem comunicação eu diria que seria uma igreja invisível.
Nós precisamos, de facto, tentar ao máximo comunicar essa mensagem, essa boa notícia, de forma atual, para alcançar inúmeras pessoas. Eu acho que, se Jesus estivesse no nosso tempo, ele utilizaria todas as ferramentas possíveis e necessárias para comunicar a boa notícia.
Se a comunicação é um desafio, ela precisa de uma certa intencionalidade no agir, de uma direção desejada, para que o processo saia da forma que se deseja. Nesse sentido, qual é a importância de se trabalhar isso dentro da igreja?
Sem dúvida, a estratégia de comunicação é fundamental, principalmente porque estamos a pensar em pessoas, e temos que pensar no que é que se pretende comunicar.
Quando nós falamos em comunicação dentro da igreja, e falando agora por uma vertente mais contextual, estamos a falar de um público interno e de um público externo. O público interno são todos aqueles que fazem parte da nossa comunidade: são os membros, os congregados, os líderes da igreja, aqueles que precisam ter a comunicação bem alinhada para que as coisas possam funcionar.
Já o público externo são aquelas pessoas que não pertencem à comunidade cristã, aquelas pessoas que talvez ainda não possuam as nossas crenças e cujos valores são diferentes dos nossos. Conseguir passar a mensagem para elas de uma forma que lhes chame a atenção, que as atraia, é que é o grande desafio.
Por exemplo, quando nós pensamos em personas, pensamos em públicos e pessoas diferentes: pensamos desde uma criança ao jovem, a um casal de jovens adultos, aos idosos, pessoas que estão em determinados momentos da vida e que têm necessidades diferentes em relação aos conteúdos e à própria comunicação.
Por isso é muito importante nós definirmos bem essa estratégia, a igreja perceber que precisa comunicar para dentro mas também precisa comunicar para fora. E isso se torna um grande desafio, porque eu preciso contextualizar. Em Portugal, por exemplo, em cada dez casamentos, sete acabam em divórcio. Então esses dados alertam para a necessidade urgente de se trabalhar um tema sobre a família: como trabalhar isso internamente, para a igreja, e como trabalhar externamente, através de campanhas, através de outras formas. É realmente um grande desafio contextual.
Você mencionou que Jesus foi o maior comunicador, que ele sabia muito bem qual era a sua missão e o seu propósito, e por isso se comunicava muito bem. Posso entender, então, que o primeiro passo para uma boa comunicação é a igreja ter muito claro qual é a sua missão, o seu papel em meio à comunidade onde ela está situada?
Sem dúvida. Nós vemos que talvez seja esse o grande desafio da igreja: perceber a sua missão e a sua visão. Eu me lembro que, quando nós começámos o processo de transição para a igreja em células, foi necessário olharmos para Jesus, olharmos para aquilo que realmente ele desejava de nós. E, depois de a igreja compreender bem isso, isso nos proporcionou sermos capazes de dar um outro passo à frente.
Eu acredito que a missão e a visão são sempre as mesmas: alcançarmos pessoas com o evangelho, fazer discípulos de todas as nações. E nós até reformulámos essa nossa missão, essa nossa visão. Lembro que nesse processo convidámos a liderança da igreja para conversar.
De facto, a nossa igreja, a Igreja Batista de Leiria, é uma igreja centenária, foi fundada em 1916, na região de Fátima, a poucos quilómetros de Fátima, e isso representa um grande desafio, porque ela está diante do segundo maior polo do catolicismo no mundo. Durante 100 anos houve muita perseguição, e através dela várias igrejas evangélicas foram fundadas também na região.
Mas chega um momento em que nós precisamos olhar para o futuro, para os próximos 100 anos da igreja. Foi quando realmente pensámos na nova missão, entendendo esse chamado de Jesus: cada membro um discípulo e cada discípulo um discipulador. E temos a visão de sermos uma igreja relevante para a sociedade, que olha para os que estão de fora mas também cuida dos que estão dentro da igreja.
E através dessa missão, dessa visão, que era direcionada pelo próprio Jesus, tudo na nossa vida se torna mais fácil, porque aquilo que nós vamos comunicar vai depender exatamente daquilo que nós entendemos que deve ser a nossa missão e a nossa visão. Jesus tinha esse briefing muito claro. Jesus sabia o que é que ele deveria fazer. Ele pegou nos seus discípulos e disse assim: "olha, o caminho é este". E a partir daí os discípulos mostraram a toda a humanidade que Jesus era o Salvador.
O contexto sociocultural muda, e a própria igreja de Leiria passou por cenários completamente diferentes desde o início do século 20. O que funcionou alguns anos atrás pode simplesmente não funcionar hoje. Como é que isso funciona na prática? Como vocês avaliam o que está funcionando e o que não está?
Eu acho que nós estamos a viver a questão de alguns paradigmas. Quando nós falamos dos media, falamos também de um paradigma entre os media tradicionais e os media no formato digital. Antes, por exemplo, nós tínhamos a centralização da comunicação na própria televisão, nos próprios jornais impressos, e de certa forma a estratégia da igreja era uma estratégia de evangelização muito de boca a boca, muito do testemunho.
Esse novo meio digital em que nós estamos inseridos hoje tem se tornado a principal ferramenta para comunicar com as pessoas, desde os mais jovens até os mais velhos. A igreja hoje, para ter uma relevância social, também precisa ter uma presença digital.
E quando nós falamos em alcançar pessoas, é exatamente isso: às vezes nem é uma igreja tão grande, mas se ela não tiver hoje uma presença digital, as pessoas não vão chegar naquele contexto. Quando estamos a falar do contexto europeu, por exemplo, em que recebemos muitos imigrantes, onde é que essa pessoa vai pesquisar hoje? Não é nos jornais, não é mais nos media tradicionais ou na televisão, até porque também não teriam dinheiro para investir lá. Elas vão procurar exatamente nas redes sociais, num site bem funcional. Então tudo isso é reflexo de uma grande mudança, à qual a igreja precisa se adequar.
É interessante porque existe a necessidade de conteúdos diferentes para cada abordagem que nós vamos fazer. Quando falamos de eventos, horários de cultos, reuniões de ministérios, agenda geral da igreja, estamos a trabalhar um conteúdo informativo. Quando estamos a trabalhar uma cobertura de cultos, eventos, transmissões, em vídeo, áudio, texto, foto, seja o que for, estamos a trabalhar de forma mais interativa.
E mesmo para os membros da igreja, para o público interno, em que eu quero trabalhar textos bíblicos, versículos, motivos de oração, trabalho isso através de uma via mais devocional. E há ainda a questão evangelística: para alcançar pessoas hoje eu preciso produzir um conteúdo voltado para o público que não conhece Jesus, e comunicar esse conteúdo não da mesma maneira que eu comunico para quem está dentro, porque para dentro da igreja às vezes eu quero uma vertente mais doutrinária, e às vezes é necessário isso. Mas de facto o conteúdo é diferente.
E a forma de nós avaliarmos se a nossa comunicação já está bem feita, bem elaborada, faz parte também da visão. Longe de comparar a igreja com uma empresa, mas hoje existem ferramentas com as quais nós podemos analisar e fazer um diagnóstico estratégico na igreja e definir os objetivos futuros. Por exemplo, na análise SWOT eu posso perceber quais são as forças, quais são as fraquezas, quais são as ameaças e as oportunidades que a igreja tem.
Nós, por exemplo, quando fizemos esse processo de reestruturação, quando montámos um projeto, analisámos tudo isso: quais eram as forças da igreja, a credibilidade pela história, a estrutura bem organizada. E começámos a ver uma série de outros fatores, a nível de fraquezas e de ameaças, que poderiam ser convertidos em grandes oportunidades para crescer. E isso foi um grande diferencial.
No nosso episódio 9 a gente falou sobre redes sociais, e o convidado comentou que, se as pessoas da sua igreja estão desconectadas nas redes sociais, provavelmente elas também estão desconectadas da igreja, do corpo. Faz sentido dizer isso, já que estar hoje nas redes sociais é uma maneira intencional de se comunicar com as pessoas?
Sem dúvida. Eu acho que o posicionamento do Ronis é muito interessante, a igreja precisa estar onde as pessoas estão. Nós avaliamos hoje que sessenta a setenta por cento das pessoas das nossas igrejas estão nas redes sociais. E, mais do que isso, é onde estão também as pessoas que nós queremos alcançar. É baseado nisso que nós vamos procurar estar onde elas estão.
Por exemplo, quando nós hoje fazemos planeamento a nível dos ministérios, do louvor, da comunicação, de convidar as pessoas, de enviar mensagens, nós fazemos isso pelas mídias sociais e pelas redes sociais: WhatsApp, Facebook. E uma ferramenta cada vez mais utilizada nessa dimensão, nas imagens, naquilo que a igreja tem produzido, é a ideia de contar histórias, o storytelling, como uma ferramenta de fortalecimento da visão daquilo que tem sido a igreja.
Eu tenho conversado com muitos pastores hoje, de outras denominações também em Portugal, e infelizmente um dado que nós temos percebido é que as igrejas europeias ainda não acordaram para a importância de ter uma presença digital. De 70 igrejas batistas no país, possivelmente teremos umas 10 que têm sites. E com uma presença efetiva nas redes sociais temos menos igrejas ainda.
E nós talvez diagnostiquemos aqui um problema, que é a falta de colaboradores, de voluntários, seja na área de marketing, na área de comunicação, de design. Isso tem um papel fundamental: se nós tivermos pessoas como essas dentro das nossas igrejas, com certeza o nosso papel na área de comunicação vai ser muito mais facilitado.
Mas é preciso mais do que ter essa presença digital: importa também ter uma periodicidade de publicação. A presença em qualquer plataforma digital é importante, e é importante fazer publicações diferentes, tendo em conta também o suporte que está a ser utilizado. Eu acredito que, ao fazer essa gestão correta, haverá uma maior probabilidade de interação com o público. Do mesmo modo, é crucial definir o calendário de temas, bem como os horários. Tudo isso facilita.
Pela sua experiência, existe uma visão por parte dos pastores de que é necessária uma atuação profissional nessa área, ou seja, de que não basta qualquer pessoa criar uma conta no Instagram e sair postando? Ou é visto como "a gente precisa ter, mas não precisamos gastar tanta energia nisso"?
Infelizmente eu acho que é mais por essa segunda via. E eu acho que não é nem tanto por uma questão de enxergar que isso merece um melhor investimento ou não, mas mesmo por não ter bem trabalhada essa visão. As igrejas publicam imagens, textos e tudo mais, e não utilizam isso de uma maneira mais trabalhada, e isso acaba por passar uma imagem de amadorismo daquilo que nós somos.
Então estamos entre esse dilema: entre trabalharmos com amadorismo, com pessoas que querem fazer mas que não sabem como fazer, e pessoas que às vezes até sabem como fazer, mas têm outras prioridades e não querem fazer para a igreja.
E aí é que entra o desafio de o líder da igreja, o pastor, a área de comunicação, perceber quais são os dons e quais são as pessoas que têm aptidão para isso, e estruturar de certa forma um departamento de comunicação. Se a igreja não tem hoje alguém capacitado na área de marketing, na área de design, por que não investir na faculdade de um jovem, ou de jovens, que possam trabalhar nessa área?
Eu me lembro que, quando eu vim para Portugal, isso há 3 anos atrás, uma das coisas que eu percebi que seriam importantíssimas para a minha aculturação no contexto europeu seria entrar na faculdade. E aí eu me perguntei: mas qual curso é que eu vou fazer? Então comecei a perceber que o futuro da igreja passa por comunicar bem nesse contexto. Foi quando Deus me deu de facto a oportunidade de entrar na faculdade de comunicação e mídia e tentar trazer as ferramentas necessárias para a igreja.
A igreja foi o meu laboratório: durante todo o meu curso, tudo aquilo que eu procurei fazer tinha a ver com o evangelho, tinha a ver com a igreja. O meu coração está na igreja, e isso facilitou muito a criação de uma estratégia de site e de um projeto de comunicação para a igreja.
E é interessante porque as próprias pessoas se surpreendiam quando viam alguém tentando atrelar as ferramentas de comunicação ao contexto de igreja, porque mesmo no contexto católico, que é predominante aqui, ainda não há um grande investimento nessa área. Aliás, o meu professor foi responsável durante muito tempo pela comunicação da catedral de Fátima, e ele falava que havia uma necessidade, porque a igreja não tinha um plano de comunicação.
Hoje as igrejas, e também a igreja católica, têm despertado para a importância da comunicação, e hoje nós temos TV e investe-se muito nas mídias sociais também. Mas a igreja evangélica, a igreja batista e outras denominações precisam cada vez mais investir nessa área se querem crescer e alcançar mais pessoas.
Você criou um manual de comunicação para a igreja de Leiria, como um trabalho de conclusão de curso. Como isso foi recebido pelos outros pastores e pela igreja de forma geral? E já foi implementado?
Eu tenho a vantagem de ser um dos pastores da igreja, isso facilitou. Mas de facto o projeto, a proposta do manual de comunicação, quando foi criado, era resolver as necessidades a nível de comunicação, tanto interna quanto externa, da igreja. Percebemos que precisávamos integrar as novas tecnologias, sensibilizar as pessoas para elas, mas também de uma forma mais sistemática.
E quando eu levei isso para o pastor titular da igreja, o pastor António Gonçalves, e também para as demais lideranças, foi um desafio, porque nós fizemos uma análise profunda sobre quais são as nossas falhas e no que é que nós poderíamos acertar. Foi um momento muito importante.
Vimos que, de facto, numa altura em que a internet tem cada vez mais esse lugar privilegiado na obtenção de informação, tornava-se essencial ter uma presença online forte e estratégica para a comunicação da igreja. E foi nesse sentido que esse projeto, esse manual, se tornou relevante: pelo facto de a igreja necessitar de uma estratégia de comunicação bem desenvolvida e até mesmo de um serviço capaz de responder às necessidades das pessoas.
Por exemplo, os irmãos da igreja, as pessoas dentro da própria comunidade, sempre colocam essa questão: nós precisamos de um informativo, nós precisamos de saber o que está a acontecer. E depois nós também temos que alcançar as pessoas que estão lá fora.
E eu me lembro que um dos meus professores fez uns questionários e disse assim: "olha, o grande diferencial desse projeto é que vai ser um projeto muito prático, que vai ser mesmo possível utilizar dentro da vossa realidade". E foi exatamente isso: fizemos uma calendarização de implementação desse projeto durante todo esse ano de 2018.
Algumas coisas estão a ser mais fáceis de implementar, outras levam um tempo maior, porque precisamos de pessoas que ainda não temos. Não necessitamos de grandes profissionais, mas precisamos qualificar minimamente os voluntários da área de comunicação da igreja.
E nós temos hoje igrejas que fazem isso muito bem. Talvez um dos meus referenciais nessa área seja a Hillsong, que é uma igreja que está aqui em Portugal e que também já está a espalhar-se pelo mundo. O departamento de voluntários de comunicação deles é um departamento muito bem estruturado, em várias áreas.
De facto, os comunicadores da igreja precisam ser pessoas dispostas a colaborar com o avanço da mensagem. Imagine: fazer o boletim de uma igreja talvez seja uma coisa mais simples, mas quando nós falamos em transmissões ao vivo, em vídeos semanais, em peças promocionais, em campanhas, na disposição de materiais e suportes gráficos, isso sim já exige qualidade nas ferramentas que nós temos, desde câmeras, e exige investimento e visão da igreja para isso.
Porque às vezes até o pastor tem a visão, mas não tem os recursos necessários para investir naquela área. E o contrário também: muitas vezes a igreja até tem dinheiro, mas prefere investir em outras áreas e dá menos importância a esse investimento. Isso pode trazer consequências, porque na verdade, quando nós investimos nessa relação da comunicação, é um investimento que vai produzir frutos, seja a curto, médio ou longo prazo. Mas é preciso que a visão da liderança esteja muito alinhada nisso tudo.
Então, de facto, foi mais fácil implementar essa visão na nossa igreja porque tínhamos muitas pessoas ligadas à área de comunicação. A igreja já tinha uma presença nos jornais tradicionais da cidade, mas ainda não tinha um site institucional bem elaborado, ainda não tinha uma presença digital marcante.
Então estamos a trabalhar para que esse projeto possa sair do papel e consiga ser implementado em todas as áreas possíveis: desde os boletins, as transmissões online, até as novas peças promocionais e campanhas.
A Igreja Batista de Leiria é uma igreja centenária. Vocês tiveram alguma dificuldade em transmitir essa mensagem da importância de estar nos meios digitais, levando em consideração esse contexto?
Eu acho que uma característica essencial para o crescimento de um líder, de um pastor, é a humildade: a humildade de reconhecer quando ele não domina um determinado conteúdo, quando ele não é bom numa área, mas tem pessoas que vão fazer aquilo muito melhor do que ele, e assim conseguir gerar um crescimento maior da igreja.
A nossa realidade aqui foi exatamente essa: o nosso pastor percebeu que não era uma área que ele dominava, mas deu total liberdade ao departamento, à área de comunicação, para investir e procurar caminhos nessa área. Por isso é importante o pastor ter essa visão de delegar, essa visão de partilhar.
Tratando-se de uma igreja centenária, de uma igreja tradicional, fazer essas mudanças a nível de comunicação era realmente importante, e é um processo de também mostrar para a igreja essa importância. E aí é que entram também os nossos recursos, desde a questão da formação da liderança.
Eu acho que às vezes nós não precisamos que toda a igreja, logo no princípio, assuma o projeto, mas pouco a pouco a igreja vai percebendo que aquilo faz a diferença. Não há igreja em que as pessoas não gostem de ter uma boa comunicação no culto, uma boa projeção da imagem, bons vídeos, testemunhos, de entrar nas redes sociais e estarem informadas constantemente do que está a acontecer, de receberem os boletins com aquelas imagens, as informações, tudo bem alinhado. A igreja vai começando a sentir a diferença, a mudança.
E nós sentimos isso aqui na igreja: quando começámos a comunicar e a investir melhor naquilo que nós queremos comunicar para as pessoas, elas sentiram até um maior prazer em investir na própria igreja, porque estavam a ter um feedback, estavam a ter uma resposta visível daquilo que não estava a ser comunicado antes. E isso faz toda a diferença.
Então, se o pastor não é bom na área de comunicação, se ele nem tem Facebook ou Instagram, procure pessoas que possam ajudá-lo nisso, procure pessoas que possam fazer esse papel, e invista nessas pessoas, porque para o próprio ministério dele vai ser um crescimento.
Tem alguma dica final para os ouvintes que querem alavancar a comunicação das suas igrejas?
Nesses momentos a gente quer ter uma resposta pronta e tudo mais, mas eu acho que o importante é a igreja trabalhar bem esse seu departamento de comunicação e procurar investir em pessoas, principalmente nessa geração mais jovem, que é uma geração altamente conectada.
Ainda hoje me recordo de um adolescente da igreja, tem 12 anos aproximadamente, e eu nunca imaginei que ele tivesse esse dom para a comunicação. Recentemente, há duas semanas atrás, vi um vídeo dele no YouTube que tinha quase 5 mil visualizações, e eu pensei: "nossa, como é que eu não consegui ver isso antes?". Então as pessoas estão ali, nós só precisamos descobri-las e procurar investir nelas.
E precisamos também olhar para as igrejas que são referência: procurar saber quem é que está a fazer bem e procurar, dentro das nossas limitações, adaptar ao nosso contexto. Então, ainda que a sua igreja seja de 30, 40, 50 membros, ou de dez mil membros, procurem sempre adaptar à sua realidade aquilo que tem sido feito com excelência. Porque no princípio pode ser que não fique tão bem acabado, mas pouco a pouco isso vai ganhando uma excelente qualidade e crescendo também.
Então fica aí esse desafio aos líderes e aos membros da igreja. Aos líderes, que tenham a visão de investir na comunicação. E àqueles que são liderados e que têm aptidões nessa área de comunicação, de marketing, de design, que se coloquem à disposição da igreja para servir ao Reino de Deus nisso. Eu acho que isso é fundamental, isso vai levar a um crescimento e, sem dúvida, vamos cumprir a nossa missão e anunciar Jesus.