Dinâmicas e quebra-gelos

Dinâmicas para célula com visitante

Uma dinâmica para célula com visitante é quase o contrário de uma dinâmica para um grupo já entrosado. A que solta quem se conhece de cor costuma ser a mesma que trava quem chegou hoje. As seis abaixo nascem dessa diferença, feitas para proteger quem veio pela primeira vez, com o tempo e o material de cada uma.

  1. 1. O bolso de outro tempo
  2. 2. A cesta do mercado
  3. 3. Os olhos de quem chegou
  4. 4. De onde a gente veio
  5. 5. A senha do caixa
  6. 6. Os corredores do mercado

Quer guardar as seis dinâmicas? A gente te manda um PDF por e-mail, sem custo e sem conversa comercial.

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1. O bolso de outro tempo

Quando usar: Grupo ainda se conhecendo
  • Tempo cerca de 20 min
  • Material dois pedaços de papel e caneta para cada participante
  • Formato presencial ou on-line

Cada um recebe dois papéis. No primeiro, escreve um objeto que carregava no bolso ou na mochila uns quinze, vinte anos atrás: um Discman, uma ficha de telefone, um chaveiro específico. No segundo, uma coisa que tem hoje que o seu eu daquela época acharia impossível.

Recolha os papéis em duas pilhas, a do “antes” e a do “hoje”. Quem conduz lê um “antes” e um “hoje” ao acaso, e o grupo tenta adivinhar se os dois são da mesma pessoa, e de quem.

Ninguém consegue prever a própria história. O que hoje parece impossível para quem chegou, fazer parte de um grupo como este, é do mesmo tamanho do impossível que o seu eu de vinte anos atrás não via chegando.

Sara ouve, já velha, que vai ter um filho, e ri sozinha da ideia. A resposta que vem é uma pergunta: “existe alguma coisa difícil demais para o Senhor?” (Gênesis 18.12-14, NVI). O impossível de ontem é o hoje de alguém.

Momento de oração, cada um pela “coisa impossível” que outro descreveu querer, sem citar quem escreveu. Quem chegou hoje não é chamado a orar.

O grupo engaja os objetos, não a vida de ninguém. O visitante participa igual, sem ter que explicar quem é, e o “antes e depois” não toca em ferida, toca em nostalgia, que é o único terreno do passado seguro para a primeira noite.

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2. A cesta do mercado

Quando usar: Grupo ainda se conhecendo
  • Tempo cerca de 20 min
  • Material pedaços de papel, caneta e uma cesta, sacola ou caixa
  • Formato presencial ou on-line

Cada um escreve, sem falar em voz alta, um item para o lanche da próxima reunião, e coloca o papel dobrado na cesta. Ninguém combina com ninguém, ninguém vê o do outro. O lanche vira um mistério.

Quando todos colocaram, quem conduz tira os papéis um a um e monta a lista na frente do grupo. Aí vem a pergunta: deu para montar um lanche que funciona? Tem pão, mas veio algo para passar nele? A bebida é só refrigerante, e quem não bebe refrigerante fica com o quê? O que está faltando para o lanche ficar completo e ninguém sair sem opção?

Na chamada on-line, cada um manda o item por mensagem privada a quem conduz, que revela todos no fim.

Um lanche não é só a soma do que cada um trouxe, é se as partes combinam e se sobra opção para todo mundo. Veio só refrigerante, e quem não bebe fica de fora bem na hora do lanche. Numa célula que ainda se conhece, o visitante é justamente quem pode ficar sem opção, porque é o único de quem o grupo ainda não sabe do que gosta.

Quando reconstroem o muro de Jerusalém, cada família levanta o trecho que fica em frente à própria casa. O muro fecha não porque alguém fez tudo, mas porque cada pedaço se ligou ao vizinho (Neemias 3, NVI).

Quem chegou hoje é quem escreve o item que estava faltando, o complemento do pão ou a bebida de quem não toma refrigerante. Ele entra completando a cesta, não sendo a falta. E na próxima reunião o lanche é literalmente o que o grupo montou junto, com a contribuição dele.

Escrever às cegas protege o visitante, que não fala e não se expõe, e é a aleatoriedade que faz a falta aparecer. Se cada um dissesse o item já pensando no todo, nunca faltaria nada, e o ponto, que grupo precisa de variedade e de sobra de opção, nunca apareceria.

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3. Os olhos de quem chegou

Quando usar: Grupo recém-multiplicado
  • Tempo cerca de 20 min
  • Material pedaços de papel e caneta
  • Formato presencial ou on-line

A célula acabou de multiplicar, e metade da sala está sentindo a falta de quem foi para a outra célula. O risco é a noite inteira girar em torno de quem não está mais aqui, e quem chegou hoje se sentir intruso no meio de uma saudade que não é dele.

Dê um papel a cada membro do grupo e peça que cada um escreva, sem mostrar a ninguém, uma coisa de que sente falta da célula maior. Recolha esses papéis dobrados e deixe no centro, virados para baixo. Eles não vão ser lidos.

Depois, dê um papel a quem chegou hoje e peça uma coisa só: que escreva algo que reparou ou gostou neste grupo esta noite. Quem conduz lê em voz alta o papel de quem chegou, e só esse.

Na chamada on-line, os papéis viram mensagens privadas a quem conduz.

Um grupo que acabou de multiplicar olha para si mesmo e vê as cadeiras que esvaziaram. Quem chega hoje olha para a mesma sala e vê um grupo que já está inteiro. As duas coisas são verdade, e o grupo precisa dos olhos de quem chegou para lembrar da segunda.

Cercado pelo exército inimigo, o servo de Eliseu só enxerga a ameaça e se desespera. Eliseu ora: “Senhor, abre os olhos dele para que veja”. E o servo vê que o monte já estava cheio de cavalos e carros de fogo, que estavam ali o tempo todo (2 Reis 6.16-17, NVI). Às vezes o que falta é o olhar, não a coisa.

Quem conduz recolhe os papéis virados para baixo e ora uma vez por quem foi para a outra célula, pelo nome se souber, sem ler o que estava escrito. O papel de quem chegou fica à vista. Ele não é chamado a orar.

A assimetria é o cuidado. A saudade do grupo fica no papel virado, honrada sem ser encenada na frente de quem acabou de chegar. E o olhar de quem chegou, a única pessoa na sala sem memória do que faltou, é o que levanta a noite. Ler as saudades e guardar a observação faria o oposto: afundaria o visitante numa perda que não é dele.

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4. De onde a gente veio

Quando usar: Grupo recém-multiplicado
  • Tempo cerca de 20 min
  • Material um pedaço de papel e caneta para cada participante
  • Formato presencial ou on-line

Este grupo nasceu há pouco, de uma célula maior que se multiplicou. Então há duas turmas na sala: quem viveu aquela célula e sabe como ela era, e quem chegou de fora e nunca a viu.

A dinâmica usa as duas, e quem conduz apresenta sem constranger ninguém. Diga mais ou menos assim: “quem veio da nossa célula antiga vai lembrar de como ela era; quem chegou hoje, seja a primeira ou a terceira vez aqui, vai imaginar como ela era só de olhar para a gente”.

Dê um papel a cada um. Quem veio da célula anterior escreve, em uma frase, uma coisa boa que marcava aquela célula. Quem chegou escreve, também em uma frase, como imagina que aquela célula era, a partir do pouco que já viu deste grupo.

Embaralhe todos os papéis e leia ao acaso. O grupo tenta adivinhar qual frase é de qual participante. Não se procura a de quem chegou, procura-se a de todo mundo, e é isso que deixa a dele ser só mais uma no meio.

Um grupo recém-multiplicado acha que perdeu a própria cara junto com as pessoas que foram para a outra célula. Esta dinâmica mostra o contrário. A identidade ficou, e está tão viva que quem chegou hoje, sem nunca ter visto a célula antiga, consegue descrevê-la só de olhar para vocês.

Momento de oração leve. Cada um agradece por uma coisa da cara do grupo que apareceu nas frases lidas. Quem chegou não é chamado a orar.

O jogo é atribuir cada frase a um participante, nunca caçar a de quem chegou, senão o cuidado vira o oposto.

O segredo, que fica só com você: no meio das outras, a frase dele ou passa despercebida, e aí ele já se confunde com o grupo, ou é reconhecida, e está certa, porque o grupo tem uma identidade que um estranho captou. Os dois caminhos provam a mesma coisa, a multiplicação não levou embora quem o grupo é.

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5. A senha do caixa

Quando usar: Reunião cheia
  • Tempo cerca de 20 min
  • Material papéis numerados, uma senha por pessoa, cada número repetido em dois papéis
  • Formato presencial

Prepare as senhas em pares, cada número em dois papéis, e embaralhe. Nada além disso. O par é sorteado, não arranjado.

Reunião cheia, muita gente. Como no caixa do banco, cada um tira uma senha. Quando quem conduz chama um número, a dupla daquele número se encontra e tem um minuto para descobrir uma coisa boba que os dois têm em comum. A sala de trinta pessoas vira uma porção de conversas de dois.

Antes de começar, deixe claro qual é a caça: coisa trivial, do tipo “toma café sem açúcar”, “gosta de mamão com aveia”, “prefere shopping a praça”. Nada de pergunta pessoal, nada de “conta um pouco de você”. A banalidade da tarefa é o que protege, e vale para um visitante ou para cinco, porque ninguém precisa contar nada de si para descobrir que o outro também não põe açúcar no café.

Numa reunião cheia, o visitante some no meio de todo mundo, e a multidão que parece acolhedora é onde é mais fácil se sentir sozinho. O que tira alguém do anonimato não é ser visto por trinta pessoas, é fazer contato com uma. Quando quem chegou descobre que alguém ali também toma café sem açúcar, começou um vínculo, pequeno, e ele deixou de ser só mais um na multidão.

No meio de uma multidão que o apertava por todos os lados, Jesus para de repente e pergunta quem tocou nele. Os discípulos acham a pergunta sem sentido, tem gente demais. Mas ele tinha sentido uma pessoa que ninguém mais notou (Marcos 5.30-32, NVI). No meio da multidão, o que se sente é o contato de um.

No fim, cada dupla conta ao grupo a coisa boba que descobriu. A dupla de quem chegou conta por ele, poupando-o de falar na frente de todos, a não ser que ele mesmo queira.

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6. Os corredores do mercado

Quando usar: Reunião cheia
  • Tempo cerca de 20 min
  • Material quatro cartazes ou cartões
  • Formato presencial

Transforme quatro cantos da sala em corredores de mercado: hortifrúti, padaria, limpeza, bebidas. Em cada corredor, deixe à vista um cartaz de cartolina, uma folha grande ou um cartão em cima da mesa, com duas ou três perguntas escritas.

O conceito das perguntas é o que faz a dinâmica funcionar, e sem ele ela fica solta. Cada corredor liga um item de mercado a uma curiosidade, quase sempre bíblica, sempre de imaginar e nunca de saber. Não é quiz. Ninguém precisa acertar nada, e é isso que deixa quem chegou à vontade, porque chutar é permitido e costuma render mais.

  • Hortifrúti: que fruta você imagina que Maria dava para o menino Jesus? E, se a fruta do Éden estivesse aqui hoje, você resistiria?
  • Padaria: o trigo era o principal alimento da época. Como você acha que era o pão que Jesus repartiu para cinco mil? E o pão sem fermento, feito às pressas na saída do Egito, teria gosto de quê?
  • Limpeza: sem água encanada e sem os produtos de hoje, como você imagina que se limpava uma casa no tempo de Moisés? E lavar os pés de um convidado, você toparia hoje?
  • Bebidas: na festa de casamento, a água virou vinho. Que bebida você gostaria de ver virar outra coisa numa festa hoje? E qual não pode faltar num encontro na sua casa?

Troque à vontade, desde que a pergunta seja de imaginar, leve e sem resposta certa.

Reunião cheia. Em vez de uma roda gigante, as pessoas circulam pelos corredores em grupos de seis ou sete, e em cada corredor escolhem qual das perguntas do cartão querem puxar. Quem chegou hoje circula junto com o anfitrião. Dê alguns minutos por corredor e vá girando os grupos, como quem empurra o carrinho para a próxima seção.

Reunião cheia vira plateia, e plateia é onde o visitante mais some. Quebrar a sala em corredores devolve a conversa de gente que se olha no olho. E a pergunta de imaginar é um chão parelho: ninguém sabe a resposta, então quem chegou hoje chuta junto com quem está na igreja há dez anos.

Diante de uma multidão de milhares com fome, Jesus não fala para todos de uma vez. Ele manda que se sentem em grupos de cerca de cinquenta, e é assim, grupo por grupo, que todos são alimentados (Lucas 9.14, NVI). A multidão não come junta, come repartida.

No último corredor, cada grupinho escolhe uma resposta que gostou para levar ao grupo todo. Quem apresenta é alguém do grupinho, nunca quem chegou hoje, a não ser que ele mesmo se ofereça.

A graça está em a pergunta não ter resposta certa. Pergunta de conhecimento bíblico expõe quem não conhece, e o visitante é justamente esse. Pergunta de imaginar faz o contrário, iguala todo mundo no chute, e o palpite mais fresco costuma ser o de quem chegou.

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O que muda quando chega alguém que não conhece ninguém

Muda tudo, e o instinto do líder joga contra. Parte do trabalho de quem lidera é ler o momento da célula: numa conversa de dois, pergunta pessoal faz todo sentido. No meio da dinâmica, com todo mundo ouvindo, a mesma pergunta nem sempre cabe.

A vontade é integrar rápido. Faz muitas perguntas, pede pra falar de si, convida para orar… O que é acolhimento para o grupo pode ser percebido como interrogatório para quem chegou, e quem se sente interrogado na primeira noite pode nem aparecer na segunda.

O visitante não veio para ser o centro. Veio de mansinho, ver como funciona, encostado em alguém que já conhece. Boa parte do cuidado com ele é resistir à vontade de transformá-lo no assunto da noite.

A dinâmica certa muda conforme a sua reunião. Um grupo que ainda se conhece, uma reunião logo depois de uma multiplicação e uma reunião cheia pedem cuidados bem diferentes com quem chega. Foi por isso que separamos as seis por tipo de reunião, e não numa lista só.

Qual usar conforme a sua reunião

A dinâmica que protege quem chegou não é uma só. Ela muda com o estado do grupo naquela noite.

Grupo ainda se conhecendo

Ninguém ali conhece bem ninguém, e agora tem também um estranho total. A saída é engajar objetos e brincadeira, não a vida das pessoas. Nesta página, as dinâmicas 1 e 2.

Reunião pós-multiplicação

Metade do grupo está com saudade de quem ficou na outra célula, e chega alguém novo no meio disso. O visitante precisa entrar como acréscimo, nunca como quem veio ocupar um lugar vazio. Nesta página, as dinâmicas 3 e 4.

Reunião cheia

Na multidão o visitante some, mesmo parecendo o cenário mais acolhedor. A saída é quebrar a sala em conversas pequenas, onde ele seja visto sem ser exposto. Nesta página, as dinâmicas 5 e 6.

Perguntas frequentes

Depende da sua reunião. Se o grupo ainda se conhece, use uma dinâmica de objetos, que engaja o que a pessoa traz e não quem ela é. Se a célula acabou de multiplicar, use uma que receba o visitante como acréscimo. Se a reunião está cheia, quebre a sala em conversas pequenas para ele não sumir.

A dinâmica engaja o que a pessoa faz ou escreve, não a vida dela. Quem chegou hoje nunca é obrigado a se apresentar, a orar em voz alta nem a falar na frente de todos. Em uma boa dinâmica com visitante, ele participa igual aos outros e sai sem ter sido o centro de nada.

Não necessariamente. O melhor é antes da reunião, na recepção ou no lanche: ali todo mundo fica sabendo o nome dele e quem o convidou.

Quando o grupo se senta, quem convidou pode apresentá-lo em uma frase, combinada antes com ele. A roda de nome, idade e profissão é o que constrange, e dinâmica nessa linha costuma travar com visitante.

Depende do perfil de quem chegou, mas na primeira noite geralmente não. Orar em voz alta na frente de gente que ele não conhece é o tipo de exposição que pode fazer alguém não voltar. Nas dinâmicas desta página, o fechamento de oração nunca passa a vez para quem chegou. Ele ora quando e se quiser, sem ninguém pedir.

Quem convidou, ou quem cuida da recepção do grupo, recebe a pessoa na chegada, apresenta aos outros pelo nome e explica o que vai acontecer antes de acontecer. Nada de expor nem pressionar. A dinâmica certa entra depois, para ele participar sem virar o centro da noite.

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