Apresentação
O Lucas é pastor de jovens na Igreja Amor e Cuidado, em Araçatuba, São Paulo, e, ao lado de sua esposa Daniele, estão à frente do ministério Juventude Alive.
Nesse episódio batemos um papo com o Lucas sobre multiplicação de rede de jovens. Conversamos sobre contextos e realidades em que se fazem necessários trabalhos específicos voltados para jovens e adolescentes.
O Lucas nos contou a história da juventude na Amor e Cuidado, compartilhando as dificuldades e as estratégias empregadas na criação e manutenção do ministério Juventude Alive.
Resumo
Rede de jovens multiplica pelo mesmo caminho do resto da igreja: célula que cresce, líder que se levanta e supervisão que cuida de perto. Na Igreja Amor e Cuidado, em Araçatuba, isso levou duas células de jovens a quase duzentas, conta Lucas, pastor da Juventude Alive, nesta entrevista ao célula.in Podcast.
A juventude ganhou região própria quando a igreja deixou de ser uma igreja com células e passou a ser uma igreja em células. Ao chegar a 106 células, a região foi multiplicada em duas: uma com perfil de jovens e universitários, outra de adolescentes, seguindo a afinidade que já existia entre líderes e liderados.
O culto único também se multiplicou, em três perfis por faixa etária. O motivo não era a mensagem, era o ambiente: adolescente, jovem solteiro e jovem casado no mesmo lugar. Segundo ele, quem evitava o culto voltou a frequentar.
Dois cuidados que ele destaca: chamar o movimento de multiplicação, e não de divisão, e cada culto continuar falando das outras faixas, para não virar disputa entre grupos. E o alvo seguinte não está no culto, está na supervisão, que é onde o crescimento trava.
Conta para a gente um pouquinho da história de como você chegou onde está hoje, como pastor liderando a juventude da Amor e Cuidado.
Eu sou pastor da Juventude Alive, que é o ministério de jovens da Igreja Amor e Cuidado, pastoreada pelo pastor Marcelo Toschi, o nosso pastor.
Isso começou em 2009, quando eu comecei a liderar. Nós ainda não éramos uma igreja em células, éramos uma igreja com células, era um ministério. Mas mesmo assim a célula começou a crescer, chegou a 30, 40 jovens e adolescentes ali, e foi onde eu tive a confirmação do chamado, de ganhar almas e cuidar de pessoas.
Depois eu fui para o seminário, fiquei três anos lá, de 2010 a 2013, e voltei para trabalhar na igreja com a juventude, junto com o pastor. Quando eu voltei, era para eu liderar os adolescentes, mas nesse tempo em que eu estava no seminário chegou um outro líder, então eu cheguei e fiquei como auxiliar do pastor de jovens. Depois esse pastor de jovens se afastou, saiu da igreja, e eu continuei trabalhando com o ministério.
Em 2015 eu fui ordenado pastor. Assumi uma supervisão, a mesma supervisão que eu tinha deixado lá atrás: eu tinha deixado uma célula, ela cresceu, se tornou uma supervisão, e quando eu voltei assumi essa supervisão. Mesmo estando no seminário, nas férias eu sempre estive em contato com eles, porque eu já tinha essa direção.
E a partir daí começou o crescimento. Nesse meio período a igreja precisou de um pastor para a região vermelha, e eu estive um tempo pastoreando essa região. Depois, por uma questão de amadurecimento, voltei para a região azul, que é a região da juventude.
Então estou há três anos como pastor, mas na igreja eu estou desde 2013 trabalhando com o ministério, crescendo, aprendendo, e hoje tenho a oportunidade de cuidar dessa galera.
Nesse início, quando a igreja ainda não era uma igreja em células, mas tinha células, existia algum foco de células voltadas para jovens especificamente?
Acho que ao todo tinha 8 ou 9 células, é pequeno. Deus deu essa visão de células para o pastor através de pessoas que já trabalhavam com isso, ele começou a seguir, começou a andar junto, e aí então as células deixaram de ser um ministério e passaram a ser a vida da igreja.
Nós tínhamos aqui cinco ou seis células de adultos e duas células de jovens bem específicas. Foi onde nasceu a região azul. Nós trabalhamos aqui com cores, então a cor azul começou a ser a região das células de jovens.
Isso foi quando se fez a célula protótipo, naquele início, quando começaram as regiões, para ter um trabalho de organização melhor. Aí foi onde nasceram a região azul, a região amarela, a região verde e a região vermelha, quatro regiões da igreja. Isso foi mais ou menos em 2011, 2012, porque eu ainda estava no seminário. Foi nessa transição que as regiões foram formadas, e a região azul ficou denominada a região de jovens.
Quando eu saí do seminário e cheguei na igreja para trabalhar, já tinha cerca de 50 células de jovens, já tinham multiplicado bastante. Mas no início eram realmente só duas células, e essas duas células tinham um perfil voltado para a juventude, mais jovens do que eu. As outras células da igreja, que eram poucas também, eram mais de adultos.
Então pode-se dizer que o movimento de células de adolescentes e jovens começou junto com a migração da própria igreja para o modelo celular? Não foi nada específico para jovem?
Ela começou intencionalmente com o movimento da igreja, mudando de uma igreja com células para uma igreja em células. E aí foi intencional a questão de ter uma região específica para a juventude, pela questão do contato, pela questão da afinidade, jovem com jovem, a linguagem.
E as regiões das células de jovens são a roxa e a azul?
Isso, começamos com a azul. Na verdade, o número exato foi 106 células: quando chegamos a 106 células, o nosso pastor sentiu a necessidade de ter mais uma região na igreja. Nós tínhamos quatro regiões e ele sentiu a necessidade de ter mais uma, para organizar, para dar uma difundida no trabalho. E aí multiplicamos a azul na roxa.
Então a região azul ficou com um perfil mais jovem, universitários, de dezenove até uns 30, 35 anos, e a região roxa ficou com o perfil um pouco mais de adolescentes. E isso vinha justamente da naturalidade das pessoas: eu já estava com a galera um pouco mais velha e o Giovani já trabalhava com os adolescentes. Ele é um líder jovem e eu também sou um líder jovem, nós estamos liderando pessoas praticamente da mesma idade.
Até chegar a esse número, o levantamento de líderes foi acontecendo organicamente, com as multiplicações, ou houve algum momento em que vocês decidiram estrategicamente levantar líderes de uma determinada faixa etária?
Bem orgânico. As células foram multiplicando, multiplicando, como toda região de juventude. Tivemos alguns pesos ali, natural, mas a multiplicação foi natural, orgânica, não foi levantado ninguém específico simplesmente para subir.
Nós temos as questões hierárquicas para trabalhar com a juventude: então tem o pastor, o supervisor, o coordenador de distrito, e depois o líder de célula, e assim até chegar ao membro da célula.
Por exemplo, o Giovani já era um coordenador de distrito, ele já tinha 48 células. E eu tenho um outro coordenador de distrito, que é o Danilo, são dois coordenadores de distrito. Como o Giovani já tinha esse perfil, com a galera dele mais adolescente, foi aí que o nosso pastor Marcelo tomou a decisão de multiplicar o grupo.
Nós aceitamos o desafio e foi muito bom, porque nós saímos de 100 células para quase 180 agora, juntando as duas regiões. Eu estou completando 100 células agora no final de agosto e o Giovani está indo para 78 células, quase 80 células também.
Foi um crescimento muito grande: de duas para 50, para 100, e agora quase 200 células. Vocês tinham um culto específico para jovens, separado do culto principal. Com esse crescimento, vocês perceberam esse crescimento de jovens também no culto, ou o crescimento estava só nas células?
Nós sempre tivemos o culto da juventude. O pastor Marcelo chegou, trouxe uma visão nova para a igreja e sentiu a necessidade de ter um culto de jovens. Nessa época eu nem era pastor, e não tinha nem pastor de jovens na igreja. Faltavam alguns meses para a migração para o modelo celular e já tinha o culto de jovem.
Isso foi em 2008 para 2009. O pastor Marcelo era pastor de jovens em uma outra igreja, então chegou aqui e sentiu essa necessidade: a igreja precisa ter jovem, e muito forte. Ele começou a trabalhar isso, e já tinha as células também. As células foram crescendo, só que eram duas coisas separadas: célula e culto.
Quando nós entramos no modelo celular, nós entendemos que são duas asas, células e celebração, e as duas precisam andar juntas. E aí, quando eu assumi o pastoreio, nós tínhamos um número grande de células, já 78, e chegamos a 100. Quando chegamos assim, começamos a perceber um número baixo de pessoas no culto: a quantidade de pessoas que estava nas células não estava representada no culto. Nós temos cerca de mil pessoas em células, mais ou menos, e em média 200 no culto.
Isso chamou a nossa atenção: alguma coisa está errada, precisamos fazer alguma coisa. E nós não estávamos enxergando onde estava o erro, onde estava o problema.
Até que eu comecei a ter algumas influências. Uma delas é o pastor Marcos Madaleno, da Igreja da Cidade, em São José dos Campos, da juventude de lá. Comecei a conhecer pessoas que têm vivido algo grande, algo novo, um avivamento no meio da juventude, e comecei a seguir esse pessoal, comecei a ler algumas coisas. Uma dessas inspirações foi essa questão da multiplicação dos cultos, de fazer um ambiente para cada faixa etária.
E eu trouxe isso para o pastor, que também já tinha essa percepção. Nós conversamos e ele me desafiou a fazer isso rápido. Quando eu fui falar com ele, "pastor, estou precisando multiplicar as celebrações", trouxe a ideia e falei: "então nós estamos pensando em fazer lá para novembro, dezembro". Isso era mais ou menos no mês de maio. Ele falou assim: "filhão, beleza, vamos fazer, só que é o seguinte: vamos fazer agora, já em agosto". Aí ele lançou o desafio e eu falei: "tá bom".
Então, cuidando um pouco da questão da transição, eu orei para Deus me dar uma estratégia e fiz uma série de quatro mensagens, cujo tema era "Desafios que me movem", trabalhando essa questão dos desafios que nós recebemos e pelos quais nós precisamos nos mover. Eu me movo por alguma coisa: eu me movo porque sei o que Jesus fez por mim, porque sei aquilo que nos aguarda, a eternidade, e porque quero que as pessoas sejam transformadas e salvas pelo amor de Deus.
Fiz essa série de quatro mensagens, sendo que na última delas eu trabalhei o tema da multiplicação. Nós fizemos um ato profético, no qual eu expliquei o que iria acontecer: a partir daquele sábado nós não teríamos mais um culto único da juventude, com todo mundo junto, mas iríamos ter cada culto para a sua faixa etária, de forma simultânea.
Então levantei o Giovani, ele já cuidava dos adolescentes. O culto dos adolescentes já acontecia na sexta e o meu era no sábado, então eram dois cultos; nós trouxemos todos para o sábado e fizemos essa multiplicação. Levantei um líder para o Alive Way, que é o culto dos que estão acima de 30 anos de idade, as pessoas mais maduras, e levantei um líder para o grupo de casais, que é o A3.
Nós temos quatro faixas etárias aqui, e estamos fortalecendo bastante essa do A3. Fizemos um culto específico para isso, um ato profético em que cada líder estaria com o seu povo, no meio da igreja mesmo: cada faixa etária, "você adolescente vai para lá, você jovem vem para cá, você jovem maduro vai para lá, você casal vai para lá". E não fui só eu que preguei, os líderes das faixas etárias pregaram, cada um deu um ponto da palavra sobre multiplicação. E a partir dali nós começamos as multiplicações.
Nós tínhamos cerca de 180 pessoas nesse culto, e a partir do sábado seguinte já fizemos os cultos dentro do campus. Nós temos dois espaços bons, o campus e o campus centro, que é a igreja onde nos reuníamos antigamente. Então estavam acontecendo três cultos simultaneamente.
E foi algo sobrenatural, porque dentro de dois, três meses nós já saímos de 200 pessoas de média no nosso culto para quase 500. Hoje nós estamos atingindo, quando não tem nenhum evento, nenhum casamento, nada, quase 600 jovens todos os sábados, juntando os três cultos.
O Alive Livre, que é a galera de 19 a 29 anos, tem mais de 300 pessoas, 290. O Alive UP, dos adolescentes, tem a média de 130, 150 pessoas todos os sábados. E o Alive Way, que é o dos jovens acima de 30 anos, tem uma média de 50 pessoas, é um ministério que nós estamos começando a trabalhar mais especificamente agora.
O de casais nós tivemos um trabalho muito forte há pouco tempo atrás, mas aí os nossos líderes precisaram sair e ficamos um tempo parados. Estamos retomando agora o A3, que é para casais de namorados e noivos. Esse é mensal, não é semanal, enquanto os outros acontecem semanalmente nos três pontos.
Essa percepção de que dividir um culto único em mais de um, por faixa etária, seria interessante, você teve observando outra igreja, ou foi uma coisa que vocês perceberam aqui?
Eu já tinha um incômodo dentro de mim: eu não sabia por que o pessoal não estava vindo, sendo que tinha muita gente em célula. E conversando com alguns pastores e líderes no Brasil, conversando com o meu pastor também e com os meus líderes, nós começamos a perceber que a galera não estava insatisfeita por causa do culto em si, mas justamente por causa do ambiente: era muito misturado. Era adolescente, jovem e jovem mais velho, tudo misturado. E às vezes tem as questões entre os jovens, porque nós temos uma faixa etária de 12 anos até 30 anos.
E a palavra que vai ser ministrada às vezes não serve exatamente para todos, talvez precise ser focada para cada idade?
É bem isso mesmo, é a questão da palavra e também a questão do culto.
Falando um pouquinho sobre o que a gente tem feito nos pontos: nós temos três perfis. Tem o Alive Way, para a galera mais velha, que é meio parecido com o culto de domingo, um culto um pouco mais tranquilo, não tem muita música rápida, tem alguns momentos, o momento de conhecer a pessoa que está chegando pela primeira vez. Não é aquele culto que a gente olha e fala "nossa, isso aqui é um culto de jovens", é mais maduro. Mas a galera mais madura está dentro da juventude, é liderada por um líder da juventude, segue uma linha de juventude, não perde a identidade.
E aí temos o Alive Livre, que já é um pouco intermediário, ele já mistura um pouco os adolescentes e os jovens mais maduros, é mais para universitários. Temos algumas intervenções, é um pouco mais animado, chama a atenção com algumas coisas diferentes, fazendo alguns painéis, alguns temas específicos. Trabalhamos bastante com vídeo, é uma faixa etária que pede um pouco disso.
E temos o Alive UP, dos adolescentes. O culto do adolescente é um pouco mais curto, porque o adolescente não consegue ficar muito tempo parado, a atenção dele é mais curta. Tem louvor e palavra, nós não perdemos a essência, mas é um pouco mais curto.
E ao final de todos esses cultos existe uma coisa chamada Guerra das Tribos. É uma estratégia que o nosso líder de adolescentes, o Giovani, viu, achou muito legal e aderiu. Porque, como se diz, a gente não pode patentear nada, mas a gente pode copiar. A gente copia e adapta ao nosso jeito, pega as nossas peculiaridades e adapta aquela ideia que já existe.
Essa Guerra das Tribos é muito legal e tem chamado muito adolescente, tem trazido adolescentes, eles gostam bastante. É como se fosse uma gincana, mas nós não damos o nome de gincana, é só uma camuflagem no nome. E é bem legal porque eles vão disputando, tem jogo de futebol, várias coisas durante o ano, e no final tem um acampamento dos adolescentes, onde acontecem as provas finais e a premiação. São duas equipes que disputam entre si, não sai briga, não sai discussão nem nada, tem fluído muito bem e tem trazido muitos visitantes.
Então é um culto bem animado. Mas essa questão das faixas etárias, cada um na sua faixa etária, isso tem gerado muito resultado.
Isso foi bem recebido pelos jovens de forma geral, ou teve alguma resistência por parte das pessoas?
Foi muito bem recebido, foi muito bem recebido mesmo. O que aconteceu é que os jovens que não iam ao culto por ter alguma resistência começaram a ir, começaram a se apaixonar pelo culto, e hoje são frequentes. Tem sido muito bom.
E vocês tiveram dificuldades com relação a essa multiplicação? Quais foram e como se deu?
Nós tivemos uma dificuldade somente na questão de discernir quais eram as atividades que iríamos usar para capacitar: o que nós vamos usar, qual estratégia para cada faixa etária. Porque a gente foi na fé, e nós ainda não tínhamos as ideias. Então, no meio do processo, as ideias começaram a fluir: como fazer o culto com os jovens, o culto para adolescentes, o culto para jovens maduros. Essa foi uma das dificuldades.
Uma outra dificuldade foi com uma das faixas etárias, a acima de 30 anos, a mais madura. O cara que tem lá seus 28, 29 anos, já casou, ele não perde a essência da juventude, mas é diferente para ele. Então, por exemplo, nós começamos com mais ou menos 15 pessoas e ficamos ali, mantivemos as mesmas 15 pessoas. Nós tivemos o culto, começamos a trabalhar, trabalhar, e percebemos que não ia, parecia um negócio meio engessado ainda.
E aí, depois de um ano já trabalhando com a juventude multiplicada, nós tivemos uma reunião de células e, depois dessa reunião, ficamos alguns líderes ali na chácara conversando até a noite. Foi aí que nasceu a ideia de mudar o nome, porque aquele nome a galera já associava a uma outra coisa, já tinha aquela cultura.
Então mudamos o nome, oramos ali, pedimos a Deus, formamos uma equipe, e dentro de seis meses saímos de 15 pessoas para 50, 60. Já teve dia, quando temos um culto específico, um evento para trazer pessoas, em que chegamos a 200 pessoas no culto. Mas a média é 50, 60. Então isso mostra o quanto ter uma identidade bem definida ali importa.
É o marketing, no bom sentido: às vezes você coloca de uma forma em que a pessoa não se sente representada. Mudar o nome já ajudou a fortalecer a liderança, criar mais identidade, dar uma vida nova para aquele culto?
Justamente. As pessoas das células começaram a ver: "cara, tem um culto", e começaram a entender.
Eu estou trabalhando fortemente com as células, fazendo trabalhos com os supervisores, porque tudo está na supervisão. Toda igreja em células sabe que o foco para o crescimento é romper na supervisão, então ter bons supervisores é algo sobrenatural. Eu estou trabalhando forte com supervisores e estou falando com o Giovani para trabalhar forte com supervisores também, porque nós temos alvos: eu quero ter pelo menos 60 por cento do meu povo de célula participando do culto. Isso ainda é um sonho, nós temos trabalhado nisso.
Nessa distribuição da Alive, houve em algum momento algum sentimento de bairrismo, de disputa entre as tribos?
Inicialmente não houve essa questão do bairrismo. Por quê? Porque eu deixei bem claro na série de mensagens que nós não estávamos nos dividindo, nós estávamos multiplicando, e multiplicando para gerar novos frutos. Eu expliquei muito bem isso.
E os meus líderes, que estão à frente das faixas etárias, têm essa conexão muito forte. Tanto é que eu os oriento a estar sempre falando de todas as faixas etárias no seu culto, a de alguma forma incluir alguma coisa das outras: "você que tem acima de 18 anos, essa é apenas uma faixa etária específica, você faz parte da nossa juventude, nós estamos aqui por uma questão de facilitação, para ajudar você que é adolescente". Então, sempre trabalhar essa unidade.
Aí depois, no meio do processo, já depois de um ano mais ou menos, começou uma brincadeirinha. E aí nós já acordamos, porque nós fazemos de vez em quando o culto unido, todo mundo junto. Geralmente quando tem algum evento na igreja, quando tem alguma coisa específica que não vai dar para fazer nos pontos separados, e também algumas vezes de forma estratégica, justamente para a galera não perder a unidade, para entender que faz parte da juventude também. Como a conferência: fazemos a conferência de juventude, onde todos os jovens da igreja se reúnem.
Então inicialmente não houve; depois vieram algumas brincadeirinhas, e a gente sabe que de brincadeira pode nascer divisão. Mas foi algo bem discreto, não foi nada explícito.
Tem uma idade mínima para a pessoa começar a liderar?
Na verdade não. Na nossa igreja temos até células de crianças, é bem legal. Claro que as células de crianças são lideradas por adultos, mas algumas crianças já estão numa idade legal, 11, 12 anos ali, e já começam a ter um papel de liderança. Tem algumas células de crianças em que o líder é adulto, claro, mas tem uma líder que é uma criança, que está sendo preparada para isso.
Então, na juventude em si, a partir dos 12 anos a pessoa já lidera, porque já é a faixa etária da adolescência. Nós temos 90 por cento de jovens na região azul e uns 10 por cento de adolescentes; e na região roxa, noventa por cento de adolescentes e 10 por cento de jovens, um pouco mais agora, porque a galera da região roxa está transicionando para a juventude. Mas eles vão continuar na roxa, não vão sair da roxa, porque a região de células não depende do culto.
Agora, no culto, por exemplo, se eu pego algum líder que já está transicionando de adolescente para jovem, ele vai começar a vir para o Alive Livre, vai começar a transicionar. Mas na célula ele vai continuar na roxa. Tratando-se da região roxa e da azul, a partir dos 12 anos de idade já podem liderar, e temos bastante líderes assim, bem acompanhados, claro.
Então não tem uma transição institucionalizada: à medida que a pessoa vai crescendo, não é obrigatório que ela mude de região?
Normalmente o Giovani, que cuida dos adolescentes, tem bastante contato com a Patrícia, que é a pastora das crianças. Às vezes acontece de subir uma galera de criança, do júnior, para os adolescentes, e às vezes a célula inteira vai.
Assim como às vezes uma célula numa região de adultos, que é a vermelha, a amarela e a verde, tem um perfil mais jovem, a galera tem 19, 20 anos. Então nós, como pastores, conversamos entre nós mesmos e às vezes fazemos a mudança: o cara vai com a célula dele da região amarela para a azul, ou de outra região. Temos essa amizade entre os pastores, não tem nenhuma disputa, nenhuma guerra.
Mas não há uma forma instituída pela igreja, uma transição do tipo "olha, agora você vai". Não tem, tratando-se de células.
Tratando-se de culto, no caso da juventude, nós trabalhamos a transição: o próprio líder de adolescentes já vai trabalhando, falando "galera, quem tiver 19 vai subir". É uma coisa natural, já tem esse entendimento. Porque adolescente é igual coelho, multiplica bastante. Então, com o tempo, ele vai perceber que aquele culto não está mais com a cara dele, vai sentir necessidade de um culto mais maduro, um pouco mais voltado para ele. Isso é normal, tem acontecido.
Como faz pouco tempo, a galera dos adolescentes ainda está crescendo, mas já tem alguns que falam "eu já estou pensando em vir para o Alive Livre". Assim como algumas pessoas do júnior já subiram para os adolescentes. Isso é bem direcionado pela liderança, não é nada formal: a liderança vai direcionando e as pessoas vão. Então tem sido um trabalho bem legal.
Diante da realidade que vocês vivem, tem algum movimento já previsto para daqui a alguns meses ou anos, de mexer nessa estrutura de culto e de multiplicação?
Ainda não. O nosso foco agora são as faixas etárias e trabalhar com as células, porque ainda não atingimos os alvos que queremos atingir. Chegamos a um número muito bom, mas nós queremos mais. Ainda tem muitos jovens que não frequentam os cultos, e isso agora não tem a ver com os cultos, tem a ver com as supervisões, com elas anunciarem, mostrarem para eles que tem um ambiente para cada faixa etária.
Nós estamos num processo: faz dois anos que multiplicamos as celebrações, e estamos ainda nessa transição de fazer com que as pessoas que estão em células frequentem os cultos. Porque nós temos também o culto de domingo, que é o culto principal da igreja, e a gente não disputa com o domingo, não tem como, e nem se quiséssemos. Domingo é domingo, é do pastor da nossa igreja, nós temos bastante consciência disso.
Aqueles que são jovens nós estamos tentando inserir no ambiente da juventude, não para que haja uma disputa entre os cultos, mas para que haja uma linguagem em que eu consigo falar com o meu povo e o Giovani consegue falar com o povo dele toda semana. Assim como o pastor Marcelo consegue falar com toda a igreja todo domingo, nos quatro cultos que tem, eu quero também poder falar com todas as minhas células aos sábados, e não somente com um pedaço da região.
A gente faz o culto da região também, que é numa quarta-feira: não tem célula, todo mundo vem para a igreja e a gente faz um culto específico. Então eu quero ter esse alcance, não só eu como o Giovani, como o Alan, e agora o líder dos casais, com quem nós já estamos trabalhando para restaurar esse ministério.
Esse é o nosso foco. Não temos ainda uma visão de fazer algum movimento para atender alguma outra parte. Temos ideias, sonhos: podemos fazer um culto em inglês da juventude, mas ainda está na fase dos sonhos.
Deixa alguma dica, uma palavra de encorajamento para os pastores de jovens.
A dica que eu quero dar a todos aqueles que estão ouvindo é esta: o ministério de jovens, o ministério com jovens, é um ministério da igreja. Nós estamos dentro de um Reino, nós estamos fazendo parte de um Reino, nós não estamos aqui para erigir impérios, mas para glorificar e adorar ao único Rei, que é Jesus Cristo.
Então, você que é líder de jovens, você que trabalha com células: seja aliançado à sua igreja, seja aliançado aos seus pastores, tenha essa visão muito bem clara dentro de você, ame eles, seja obediente a eles. E não pare, não pare de crescer, não olhe para trás, não faça um ministério de manutenção, faça um ministério de multiplicação. Jesus nos disse para avançarmos, para fazermos discípulos até que ele volte, e que todos os dias ele estará conosco para que nós possamos fazer discípulos. Trabalhe dessa forma.
Líder de jovens, é preciso entender a sua posição, e se você não entende a sua posição, você não vai cumprir o seu propósito. A nossa posição é influenciar a nossa geração, para que o Brasil se torne um país melhor, para que as pessoas se entreguem a Jesus em primeiro lugar, claro, e para que nós possamos de fato cumprir o nosso chamado.
Eu creio que tem pessoas que estão na lama, pessoas que estão no pecado, desviadas, perdidas, e o Senhor nos colocou aqui para fazer a diferença. Então vamos liderar, formar líderes, ganhar o máximo de pessoas possível, nunca perder a paixão e nunca olhar para um ministério de manutenção, mas para um ministério de multiplicação, de crescimento.
E tem mais uma coisa que eu aprendi: eu não posso ser o Espírito Santo. Eu tenho que levar os meus jovens, a minha liderança, as pessoas que estão debaixo do meu cuidado, para perto do Espírito Santo, e o Espírito Santo mostra para elas o caminho. Então não tente fazer na sua força, mas faça na força do Espírito. Seja amigo do Espírito Santo, mostre o Espírito Santo para as pessoas, conduza as suas ovelhas para perto de Deus.
Eu vejo muitos líderes de jovens que tentam fazer no seu próprio braço, mas tudo o que é feito na carne, da carne se colhe corrupção; o que é plantado no espírito, do espírito se colhe. Então leve os seus jovens para perto de Jesus, e aí eles vão trabalhar mais, vão amar mais, vão ser mais apaixonados, e você vai multiplicar de forma exponencial. É isso que eu tenho aprendido. Não estou cem por cento nisso ainda, mas estou trabalhando e crescendo para isso.